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Paget e sua contribuição para a cirurgia cardíaca

Olá meus queridos. A medicina tem uma história repleta de informações cientificas e curiosidades, e hoje vou partilhar uma delas com vocês.

Na história da cirurgia cardíaca houve uma época em que o pensamento era de que o cirurgião que tentasse suturar uma ferida do coração perderia o respeito de seus colegas.


Theodore Billroth disse:

“A cirurgia do coração provavelmente atingiu os limites estabelecidos pela Natureza e para toda cirurgia: nenhum método novo … pode superar as dificuldades naturais que acometem uma ferida do coração.”

Felizmente Paget provou que estavam errados, em 1907 ele havia colecionado 124 casos de “sutura cardíaca” com 60% de mortalidade (vs. 90% pré-cirúrgico). Assim, a porta para cirurgia cardíaca foi aberta e nunca mais foi fechada.

Ainda bem que existem os inconformados com os limites impostos! Muito devemos a eles!!

– Dra. Vanessa Guimarães: Cardiologia pediátrica, UTI cirúrgica e Transplante Cardíaco –

A trajetória da formação de um Cardiopediatra

Por Dra. Vanessa Guimarães

Tenho recebido directs perguntando qual o caminho e o grau de dificuldade até se tornar Cardiopediatra e acho que a melhor forma pra responder isso é contando pra vocês um pouquinho da minha trajetória!

A formação universitária para ser médica é o primeiro step. Sou formada em Medicina pela Universidade Federal de Alagoas @ufaloficial (são 6 anos de curso e lá se vão 15 anos que conclui). Daí preciso dizer que o estudo é intenso, mas extremamente possível, tanto que recebi a Láurea Acadêmica.

Daí prestei provas de residência médica e felizmente pude escolher vir para São Paulo-SP. Fiz 2 anos de residência em Pediatria👩‍👧‍👦no Hospital Infantil Darcy Vargas @hi.darcyvargas, por onde tenho muito carinho e gratidão até hoje.

Sempre tive predileção para casos delicados, pois as subespecialidades que pretendia eram cardiologia, nefrologia ou emergência médica e delas a Cardiologia Pediátrica arrebatou meu coração.

Há 10 anos concluí minha residência em Cardiologia Pediátrica (mais 2 anos) no InCor, da Faculdade de Medicina da USP e depois disso fui fellow também lá por mais 1 ano em Terapia Intensiva Cirúrgica. Ou seja meus queridos, foram 11 anos de formação básica.

Tantas coisas aconteceram nesse tempo! No InCor, passei a ser médica-assistente na Unidade de Terapia Intensiva Cirúrgica, no Programa de Transplante Cardiopediátrico, além de coordenar o ECMO Team do hospital (grupo especializado na tecnologia de oxigenação por membrana extracorpórea).

Fazer parte do quadro de médicos da USP, trouxe-me oportunidades preciosas de cursos em instituições renomadas no exterior como o Stollery Children’s Hospital, no Canadá, o Boston Children’s Hospital, na Havard University e, neste ano, o SickKids, também no Canadá.

Hoje sou coordenadora de uma pós-graduação em pediatria e já fui autora e coautora de diversos capítulos de livros, artigos científicos, guidelines e diretrizes.

Então vamos em frente que nossas crianças precisam de mais e mais Cardiopediatras pelo país!

Apoio, empolgo e divulgo! Tudo bem que sou suspeita porque amo cuidar de quem tem alterações de maior ou menor grau no coração. São corações que batem com muito Amor!!

Dia Internacional da Pessoa com Deficiência

Pessoal, hoje (03/12) é comemorado o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. É uma data importante para a conscientização de todos sobre este assunto tão importante para nossa sociedade.

Por isso, chamo-os para a reflexão do dia: vamos procurar integrar mais em nossas vidas pessoas que tenham qualquer tipo de deficiência, seja física ou mental?

É importante a conscientização da população, para que essas pessoas não sejam mais marginalizadas, seja por preconceito ou até mesmo falta de acesso nas cidades.

Afinal, há 45,6 milhões de pessoas com alguma deficiência no Brasil. Por isso, acredito que nossa parte é, todos os dias, integrar essas pessoas! Vamos juntos nessa?

Convivendo com a cardiopatia – Depoimento

Sou mãe de um garotinho muito especial chamado K.I., hoje com 13 anos. Venho aqui dividir minhas experiências e aprendizados ao longo desses anos. Meu filho nasceu prematuro extremo, com 27 semanas, com uma cardiopatia que só foi descoberta três meses depois do seu nascimento. Uma malformação na Valva Mitral e Tricúspide. A partir dessa descoberta a vida de nossa família mudou totalmente.

No início, me senti sem chão, sem saber nada sobre o assunto, totalmente perdida. Pensei comigo: esperei 12 anos por essa criança, agora é hora de seguir em frente e aprender a lidar com todos os obstáculos.
Entendi que algumas coisas teriam que ficar de lado como ansiedade, tristeza, desânimo. Era hora de dar lugar para minha fé, paciência e sabedoria. Entendi que precisaria para aprender, saber ouvir, esperar o tempo certo das coisas. E, acima de tudo, ensinar meu pequeno a lutar pela sua vida.

Ao longo desses 13 anos, ele passou por quatro cirurgias, sendo a primeira e a terceira consideradas gravíssimas.  Mas me empenhei em entender muito bem a cardiopatia dele. Como? Perguntando aos médicos, aprendendo a dar suas medicações, conhecendo seus efeitos colaterais. Aprendi a confiar nos profissionais que Deus preparou para cuidar dele. Afinal de contas, se preparam para isso.

Algumas vezes quando meu filho, ainda bebê, ficava internado, presenciei muitas mães brigando com enfermeiros, dizendo que não eram para “furar seus filhos”, questionando médicos sob seus tratamentos. E decidi que não era isso que queria para o meu pequeno.

Então, desde cedo comecei a ensinar meu filho a lidar com o ambiente hospitalar.  Ao invés de dizer: “se você não se comportar, vai tomar injeção” ou “a médica ou a enfermeira vai brigar com você”, eu dizia “filho, tirar sangue é uma picadinha de formiga. As enfermeiras são suas tias, querem seu melhor” e “Você precisa tomar seu remédio para ficar bonzinho”.  “Quando você estiver sozinho na UTI e a mamãe não puder ficar com você lá, você terá tias e tios que vão cuidar muito bem de você.” “Não peça nada chorando e fazendo birra, peça com carinho”.  E assim ele cresceu em ambiente hospitalar.

Foi para escola e sempre esteve junto com as outras crianças em suas atividades. Mas ensinei, “filho, se você cansar, olhe sempre suas mãozinhas e se estiverem roxas peça para chamar a mamãe, peça ajuda”.   E ele sempre soube pedir ajuda quando necessário.

Sim, ter um filho cardiopata requer muitos cuidados e atenção. Porém, podemos levar uma vida normal sem paranoias e histerismos.

A calma e a confiança fazem toda a diferença na hora de agir em favor da saúde dos pequenos.

Hoje, Kauã já sabe sua dose diária de medicação, sabe os seus horários e a importância deles. Sabe também que toda equipe dentro do hospital está ali para ajudá-lo a viver melhor e por isso são seus amigos.
Para mim, tudo isso foi muito importante.

É claro que a Dra. Van tem papel especial nessa história, com seu trabalho e humanismo ganhou todo o nosso carinho e admiração tornou-se parte da nossa família.
S.O.!

A história do paciente Gabriel Viola

Cada família que entra no meu consultório tem uma história muito especial e inspiradora. Algumas delas acabam que viram livros ou saem em matérias, como essa da capa da Revista Pais & Filhos, de junho, que traz o Gabriel e seus pais.

A Érika nos conta que o Gabriel foi um bebê muito desejado. É o segundo filho do Fábio e o primeiro dela. Veio depois da perda de um bebê deles bem no comecinho da gravidez.

Gabriel Viola

Depois que o Gabis (como o chamamos) nasceu é que recebemos o diagnóstico da Síndrome de Down e da cardiopatia.

O nascimento de uma criança que exige cuidados, muitas vezes por toda a vida não é fácil. Os valores mudam, mas nem tudo é dor. A capacidade que esses pequenos seres têm de trazer felicidade em pequenos gestos e situações é surpreendente.

História que é exemplo de como o amor transforma desafios em oportunidades de alegria e felicidade. Tenho muito orgulho de participar da história de todos vocês. Vale super a pena ler!!
Clique no link https://youtu.be/MKKxGrfpTz4.

Oxigenação Extracorpórea por Membrana para Intervenções Coronarianas

Oxigenação Extracorpórea por Membrana para Intervenções Coronarianas Percutâneas Complexas em Pacientes sem Choque Cardiogênico

Demonstrou-se que a oxigenação extracorpórea por membrana (ECMO) pode fornecer suporte cardiopulmonar, durante intervenções coronarianas percutâneas (ICP), em pacientes com choque cardiogênico refratário. As diretrizes atuais consideram o uso da ECMO e dos dispositivos implantáveis para assistência ventricular esquerda ​​em pacientes selecionados com síndrome coronariana aguda e elevação do segmento ST (SCST-ACS). As ICPx de alto risco continuam a ser uma estratégia de revascularização viável para os pacientes que não são adequados para a cirurgia ou aqueles que a recusam.

No entanto, esse subconjunto de pacientes é considerado extremamente elevado em risco de complicações de ICP, pois existe o risco de colapso hemodinâmico durante inflações de balão ou procedimentos complexos, em particular, se ocorrer dissecção coronariana com fechamento de vaso sem refluxo. Este capítulo é dedicado ao uso do suporte com ECMO para ICP complexas de alto risco, em pacientes com NSTE-ACS sem choque cardiogênico, com base na fundamentação teórica, estudos retrospectivos observacionais de um único centro e exemplos de casos clínicos. Observamos os pacientes com NSTE-ACS consecutivamente admitidos em nosso hospital em 2012. Todos os pacientes tiveram doença coronária multivasis (estenoses de duas ou mais artérias epicárdicas significativas e / ou ramos grandes (≥2,5 mm) ≥70% e / ou estenose da artéria coronária esquerda principal (LMCA) ≥50%).

Em geral, os pacientes com NSTE-ACS (n = 150) apresentaram alto risco de desfechos cardiovasculares adversos (pontuação média GRACE 135 ± 47,6, 40% pacientes apresentaram GRACE ≥140) e um risco cirúrgico significativo: o EuroScore II médio foi 5,7 ± 6,4. A estenose significativa do LMCA foi diagnosticada em 16% dos pacientes, e a média da pontuação SYNTAX foi de 21,3 ± 9,9. Diabetes mellitus foi apresentado em um em cada quatro pacientes, 45% apresentaram história de infarto do miocárdio e observou-se doença arterial periférica em 42% dos pacientes da população estudada (Tabela 1).

O maior número de casos de estratégia de conversão (n = 15) foi relatado entre os pacientes que foram inicialmente selecionados para CABG. Sete pacientes foram transferidos para o grupo de ICP e oito para o grupo de tratamento farmacológico. O principal motivo para a conversão da estratégia foi um risco extremamente elevado de cirurgia associada à idade avançada, sexo feminino, doenças concomitantes graves, obesidade, contratilidade global reduzida do ventrículo esquerdo, patologia valvular e uma condição ruim das partes distal das artérias coronárias.

É importante descrever que a mortalidade hospitalar em pacientes foi inicialmente planejada para CABG, mas, finalmente, receberam apenas tratamento farmacológico e foi extremamente elevada (20%). Se alguma estratégia de revascularização (ICP ou CABG) fosse substituída por um tratamento farmacológico, cada terço desses casos estava associado à mortalidade intra-hospitalar.

Teste do coraçãozinho

Cerca de 1 a 2 de cada 1000 recém-nascidos vivos apresentam cardiopatia congênita crítica.

O teste da oximetria é um exame de triagem realizado logo ao nascimento do bebê que é valioso, pois, caso a anomalia não seja detectada nessa fase da vida (o que ocorre em cerca de 30% destes recém-nascidos que recebem alta do hospital sem o diagnóstico) e a criança não seja tratada, ela pode apresentar choque, hipóxia (queda no nível de oxigênio no sangue) e até mesmo óbito.

O teste é muito simples: realiza-se a medição do nível de oxigênio no sangue pelo exame do pulso, em todo recém-nascido aparentemente saudável, com idade gestacional acima de 34 semanas, antes da alta hospitalar.

A mediação é realizada entre 24 e 48 horas de vida, no braço direito e também em uma das pernas, sendo que ambas precisam estar aquecidas.

O teste é eficiente para indicar a anomalia em 75% do casos. Em outras palavras, algumas cardiopatias críticas podem não ser detectadas através dele, principalmente aquelas do tipo coartação de aorta.

O não descarta a necessidade de realização de exame físico minucioso e detalhado em todo recém-nascido, antes da alta hospitalar.