Olá meus queridos, tudo bom? Este é um dos conteúdos do meu do projeto “Pupilos da Dra. Vanessa”, que irá contar com a presença de estudantes e profissionais da área da saúde, trazendo conteúdos exclusivos para vocês!

Por Beatriz Criniti &  Dra. Vanessa Guimarães –  CREMESP 118.641

O DSAV representa 3 a 4% das cardiopatias congênitas e pode ser dividida em total, parcial e intermediária. Está presente ao nascimento, mas o diagnóstico pode ser feito em qualquer idade.

É uma abertura no septo interatrial na sua porção inferior, chamada de CIA tipo ostium primum associada a uma fenda na valva atrioventricular esquerda que gera refluxo sanguíneo. Ocorre um shunt E-D gerando hiperfluxo pulmonar, sobrecarga de volume das câmaras esquerdas secundária a insuficiência valvar e a longo prazo hipertensão pulmonar.


A maioria são assintomáticos iniciando os sintomas na 3ª e 4ª décadas de vida. Eles aparecem devido a sobrecarga que resulta em insuficiência cardíaca congestiva. Os mais comuns são dispnéia (falta de ar) e intolerância aos esforços, taquicardia (freqüência cardíaca acelerada), dificuldade de ganho de peso, recusa alimentar, cardiomegalia (coração aumentado), hepatomegalia (aumento anormal do fígado), estertores pulmonares (sons anormais na ausculta do pulmão).

Exame físico: sopro mesosistólico à ausculta cardíaca e desdobramento amplo da segunda bulha.
– Radiografia: com aumento da área cardíaca e da trama vascular pulmonar.
– Eletrocardiograma: pode apresentar distúrbios de condução como bloqueio AV de 1º grau, desvio do eixo elétrico para esquerda (-30º a -90º) e atraso da despolarização ventricular direita como reflexo da sobrecarga volumétrica.
– Ecocardiograma: avaliação da anatomia da malformação descrita e suas repercussões hemodinâmicas.

Quando o DSAV parcial começa a apresentar sintomas, o cardiopediatra restringe as atividades físicas e inicia medicações anticongestivas (diuréticos e vasodilatadores) até a cirurgia.

É recomendado o aconselhamento genético e o eco fetal para diagnóstico pré-natal.

É necessária a correção cirúrgica, pois não ocorre fechamento espontâneo do defeito. Ela é geralmente indicada entre 1 e 3 anos, se assintomático. Caso os sintomas se manifestem, são indicadas medicações anticongestivas e aminas até a cirurgia.


– Dra. Vanessa Guimarães: Cardiologia pediátrica, UTI cirúrgica e Transplante Cardíaco –