Endocardite: por que a saúde bucal é tão importante para crianças com cardiopatias?

 

Manter a saúde bucal das crianças em dia vai muito além da estética ou da prevenção de cáries. Em alguns casos, a falta de cuidados adequados pode contribuir para o desenvolvimento de uma condição grave: a endocardite infecciosa.

A endocardite é uma infecção que atinge o revestimento interno do coração (endocárdio) ou estruturas cardíacas como válvulas, próteses, shunts e condutos sistêmico-pulmonares. Trata-se de uma doença potencialmente grave, que exige diagnóstico precoce e tratamento especializado.

Como a endocardite se desenvolve?

A condição é causada por bactérias ou fungos que normalmente vivem em regiões como boca, nariz, garganta e também nos sistemas gastrointestinal, urinário e reprodutor. Quando há infecções ou inflamações nessas áreas, esses microrganismos podem entrar na corrente sanguínea.

Ao chegarem ao coração, encontram maior facilidade de se instalar em tecidos cardíacos fragilizados por cardiopatias congênitas, alterações estruturais ou predisposição genética. A partir disso, a infecção se desenvolve.

Por que a boca é um dos principais focos de risco?

A cavidade oral é uma das principais portas de entrada dessas bactérias na circulação sanguínea, especialmente em casos de gengivite, cáries profundas ou infecções dentárias. Por isso, a saúde bucal tem papel fundamental na prevenção da endocardite, sobretudo em crianças com doenças cardíacas.

O tratamento da endocardite costuma exigir internação prolongada e uso de antibióticos intravenosos em altas doses. Mesmo com tratamento adequado, a doença pode apresentar risco significativo, com taxas de mortalidade ainda relevantes.

Crianças com cardiopatias precisam de cuidados adicionais?

Sim. Crianças com cardiopatias específicas fazem parte do grupo de risco para endocardite infecciosa. Nesses casos, além dos cuidados rigorosos com a higiene bucal e acompanhamento odontológico regular, podem ser necessárias medidas preventivas adicionais.

Em procedimentos terapêuticos como tratamentos odontológicos, intervenções nas vias aéreas ou procedimentos nos sistemas gastrointestinal, urinário e reprodutor, pode haver indicação de profilaxia medicamentosa, conforme avaliação médica especializada.

Prevenção é sempre o melhor caminho

A prevenção da endocardite envolve uma abordagem integrada: cuidados com a saúde bucal, acompanhamento médico regular e orientação adequada às famílias. Em crianças cardiopatas, essa atenção deve ser ainda mais criteriosa, sempre com suporte de uma cardiologia pediátrica experiente e atualizada.

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