Teste ergométrico em crianças e adolescentes: quando é indicado e por que é tão importante

 

 

Por Dra. Vanessa Guimarães
Médica especialista em cardiologia pediátrica, com ampla atuação no acompanhamento cardiovascular de crianças e adolescentes

O teste ergométrico é um dos exames que muitas crianças e adolescentes gostam de realizar, especialmente aqueles que apreciam desafios e gostam de testar seus próprios limites físicos. Apesar do clima descontraído, trata-se de um exame extremamente sério, seguro e fundamental na avaliação da saúde do coração.

O teste ergométrico nada mais é do que um eletrocardiograma realizado durante esforço físico, geralmente por meio de caminhada ou corrida em esteira. Durante o exame, o cardiopediatra avalia como o coração se comporta em uma situação de maior exigência, observando tanto a estrutura cardíaca quanto o sistema elétrico responsável pelos batimentos.

Por meio desse exame, é possível identificar alterações no fluxo de sangue pelas artérias coronárias, que são responsáveis por nutrir o músculo cardíaco com oxigênio e nutrientes. Também é possível detectar falhas no sistema elétrico do coração, que podem comprometer seu funcionamento adequado durante o esforço.

Além disso, o teste ergométrico é um excelente instrumento para avaliar a capacidade funcional e o condicionamento físico, sendo amplamente utilizado em avaliações cardiológicas voltadas para a prática esportiva. Crianças e adolescentes a partir dos 8 anos de idade, que pretendem iniciar atividades físicas competitivas, devem realizar esse exame, mesmo que não tenham cardiopatia conhecida.

Segundo recomendações do American College of Cardiology (ACC) e da American Heart Association (AHA), o teste ergométrico é indicado para avaliar a capacidade de exercício em crianças e adolescentes com cardiopatias congênitas, inclusive aquelas já operadas, assim como em pacientes com doenças adquiridas das válvulas cardíacas ou do músculo cardíaco.

O exame também é indicado em casos de dor torácica com características de angina, para avaliação do desempenho de marca-passo artificial durante o exercício, e em diversas situações clínicas específicas, como:

– Avaliação da resposta ao tratamento clínico, cirúrgico ou por ablação por radiofrequência em crianças com taquiarritmias previamente identificadas;
– Análise da repercussão de lesões valvares congênitas ou adquiridas, especialmente na estenose valvar aórtica leve a moderada;
– Investigação do ritmo cardíaco durante o esforço em pacientes com suspeita de arritmia induzida pelo exercício ou diagnosticada durante atividade física.

É importante reforçar aos pais e responsáveis que o teste ergométrico é seguro, quando bem indicado e realizado sob supervisão médica especializada. Ele fornece informações valiosas que contribuem para diagnósticos precisos, acompanhamento adequado e orientação segura sobre a prática de exercícios.

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