“Meu filho pode fazer academia? Musculação faz mal para o coração?” Essas dúvidas são muito comuns entre pais de adolescentes. E a resposta da cardiologista pediátrica Dra. Vanessa Guimarães pode surpreender: talvez o maior risco para o coração do adolescente na academia não seja a musculação.
Neste artigo, você vai entender quando o treino de força é seguro, qual é a verdadeira preocupação dos especialistas e como fica a situação de quem tem uma cardiopatia.
Musculação atrapalha o crescimento ou faz mal ao coração?
Durante muito tempo existiu a ideia de que crianças e adolescentes não deveriam fazer musculação porque isso prejudicaria o crescimento ou faria mal ao coração. Hoje sabemos que não é bem assim.
O treinamento de força bem orientado, adequado à idade, ao desenvolvimento e à capacidade do jovem, pode ser seguro e trazer benefícios como:
- Ganho de força muscular;
- Melhora do condicionamento físico;
- Saúde óssea;
- Prevenção de lesões.
Existe uma idade certa para começar a musculação?
Não existe uma “idade mágica” a partir da qual a musculação passa a ser permitida. Mais importante do que a idade é avaliar se a criança ou o adolescente tem maturidade para compreender as orientações, executar os movimentos corretamente e treinar com supervisão adequada.
Quando o treino se torna um problema
O problema começa quando a musculação vira:
- Busca por carga máxima;
- Competição para ver quem levanta mais peso;
- Treino sem supervisão;
- Progressão inadequada das cargas.
A maior preocupação: o que o adolescente consome para treinar
Para a Dra. Vanessa, há outro ponto que merece tanta atenção quanto o próprio treino: o que esse adolescente está consumindo para treinar? Pré-treinos, grandes quantidades de cafeína, energéticos, estimulantes e, principalmente, anabolizantes não têm nada a ver com fazer exercício.
Um adolescente pode estar fazendo um treino perfeitamente adequado e, ao mesmo tempo, expondo o coração sem necessidade a substâncias que podem aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial e favorecer arritmias e palpitações. Saiba mais em energético faz mal para o coração dos adolescentes? e creatina, whey e pré-treino: seu filho pode usar?
Quem tem cardiopatia pode fazer musculação?
Muitas vezes, sim. Ter uma cardiopatia congênita não significa automaticamente estar proibido de fazer exercício. Pelo contrário: a atividade física é recomendada para a maioria das pessoas com cardiopatias congênitas.
Algumas condições, porém, exigem uma prescrição individualizada. O cardiopediatra precisa considerar:
- A anatomia e a função do coração;
- A presença de arritmias;
- A pressão arterial;
- Alterações na aorta;
- Hipertensão pulmonar;
- Em alguns casos, o resultado do teste de exercício.
Crianças e adolescentes com cardiopatias complexas devem receber orientação do cardiologista pediátrico antes de iniciar um programa de treinamento resistido. Leia também sobre ser adolescente com cardiopatia.
A pergunta certa não é “quantos anos ele tem?”
“Quando um pai me pergunta se o filho pode fazer academia, a minha resposta não começa com quantos anos ele tem. Começa com quem é esse adolescente, como está a saúde dele e que tipo de treino ele pretende fazer”, explica a Dra. Vanessa.
Exercício bem prescrito faz parte da saúde. Muitas vezes, o que precisamos combater não é a musculação, mas o excesso, a falta de orientação e a ideia de que, para ter resultado, o adolescente precisa colocar alguma coisa dentro do corpo.
Perguntas frequentes
Musculação atrapalha o crescimento do adolescente?
Não, quando o treino é bem orientado e adequado à idade e ao desenvolvimento do jovem.
Com quantos anos pode começar a musculação?
Não há idade fixa. O mais importante é a maturidade para seguir orientações, executar os movimentos corretamente e treinar com supervisão.
Adolescente com sopro ou cardiopatia pode treinar?
Na maioria dos casos, sim, mas a liberação e o tipo de treino devem ser definidos pelo cardiologista pediátrico.
Seu filho vai começar a treinar? Agende uma avaliação com a Dra. Vanessa Guimarães.


