O defeito do septo atrioventricular (DSAV), também chamado de canal atrioventricular, representa de 3% a 4% das cardiopatias congênitas. Ele pode ser total, parcial ou intermediário. Neste artigo, a cardiologista pediátrica Dra. Vanessa Guimarães explica a forma total (DSAVT): o que acontece no coração, os sintomas, o diagnóstico e o tratamento.
O que é o defeito do septo atrioventricular total?
Durante a formação do coração, estruturas chamadas coxins endocárdicos deveriam se fundir para formar a região central do coração. No DSAV total, essa fusão falha, e a parte central do coração fica comprometida. O defeito reúne, na verdade, três alterações:
- Comunicação interatrial (CIA) do tipo ostium primum: uma abertura na parte de baixo da parede entre os átrios;
- Valva atrioventricular única: em vez de duas valvas (tricúspide à direita e mitral à esquerda), existe uma só, com cinco folhetos;
- Comunicação interventricular (CIV) de via de entrada: uma abertura entre os ventrículos, próxima à valva.
DSAV total e síndrome de Down
Juntas, as formas total e parcial representam cerca de 5% dos defeitos congênitos do coração. Entre todos os casos de DSAV total, cerca de 30% ocorrem em crianças com síndrome de Down.
Sintomas do DSAV total
É uma cardiopatia acianótica com aumento do fluxo de sangue para os pulmões (hiperfluxo pulmonar). Esse excesso de fluxo causa sinais de insuficiência cardíaca congestiva, que geralmente aparecem entre 4 e 6 semanas de vida:
- Respiração acelerada;
- Falta de ar ao mamar, nas refeições ou nos esforços;
- Baixo ganho de peso, pelo gasto de energia aumentado;
- Suor excessivo;
- Pneumonias de repetição.
Como é feito o diagnóstico?
O DSAV total pode ser identificado ainda na gestação, no ecocardiograma fetal, ou na maternidade, pelo teste do coraçãozinho. Depois, o pediatra e o cardiologista pediátrico reconhecem os sinais de insuficiência cardíaca e auscultam um sopro, causado principalmente pelo refluxo na valva única.
O eletrocardiograma, a radiografia de tórax e o ecocardiograma mostram a repercussão no coração e nos pulmões e ajudam a acompanhar a evolução.
Tratamento do DSAV total
O tratamento é sempre cirúrgico. A cirurgia faz a correção total: fecha a CIA, reconstrói a valva única separando-a em valva direita e esquerda, e fecha a CIV.
Em crianças com síndrome de Down e outras síndromes, a cirurgia é feita preferencialmente por volta do sexto mês de vida, principalmente para evitar o desenvolvimento de hipertensão pulmonar.
Antes da cirurgia, diuréticos e vasodilatadores aliviam o refluxo e a congestão dos pulmões, e eles também ajudam na recuperação pós-operatória. Quanto maior o refluxo da valva, mais sintomas e mais trabalhosa a correção. Saiba mais sobre a UTI pós-operatória.
Acompanhamento após a cirurgia
Mesmo após a correção, pode persistir algum grau de refluxo ou estreitamento das novas valvas. Nesses casos, a criança é acompanhada clinicamente, e pode ser necessária uma nova cirurgia para reparar a valva ou trocá-la por uma prótese.
Conheça também a forma parcial: defeito do septo atrioventricular parcial, além da comunicação interventricular.
Perguntas frequentes
O DSAV total fecha sozinho?
Não. O tratamento é sempre cirúrgico.
Com quantos meses é feita a cirurgia?
Em crianças com síndrome de Down e outras síndromes, preferencialmente por volta do sexto mês de vida, para evitar a hipertensão pulmonar. A definição é individual.
Toda criança com síndrome de Down tem DSAV?
Não, mas cerca de 30% dos casos de DSAV total ocorrem em crianças com síndrome de Down, por isso a avaliação cardiológica é essencial.
Seu filho tem esse diagnóstico? Agende uma consulta com a Dra. Vanessa Guimarães.


