Comunicação Interventricular (CIV): O Que É, Sintomas e Tratamento

A comunicação interventricular (CIV) é a cardiopatia congênita mais comum. Ela pode aparecer sozinha ou junto com outras alterações do coração, é um pouco mais frequente no sexo feminino e afeta cerca de 3,5 a cada mil nascidos vivos.

Neste artigo, a cardiologista pediátrica Dra. Vanessa Guimarães explica o que é a CIV, quais são os sintomas, como é feito o diagnóstico e quando é preciso fechar a comunicação.

O que é a comunicação interventricular?

A CIV é um “buraquinho” no septo, a parede que separa os dois ventrículos do coração, o direito e o esquerdo. Ela está presente desde o nascimento, mas o diagnóstico pode acontecer em qualquer fase da vida.

Sintomas da CIV

Durante a vida fetal, a CIV não causa sintomas. Ao nascer, a criança pode ou não apresentá-los: CIVs pequenas costumam ser silenciosas, enquanto as moderadas e grandes causam sinais de insuficiência cardíaca congestiva, porque mais sangue vai para os pulmões. Os principais são:

  • Batimentos acelerados (taquicardia);
  • Cansaço e falta de ar (dispneia);
  • Cansaço para mamar e nas atividades físicas;
  • Fígado aumentado (hepatomegalia);
  • Pneumonias de repetição;
  • Dificuldade de ganhar peso;
  • Nos casos mais graves, pouca urina e inchaço nas pernas.

Como é feito o diagnóstico?

O exame clínico ajuda muito. Muitas vezes é o próprio pediatra quem suspeita da CIV no consultório, ao ouvir um sopro característico. O cardiologista pediátrico confirma e avalia a repercussão com:

  • Eletrocardiograma: pode mostrar sobrecarga das câmaras esquerdas ou dos dois ventrículos;
  • Radiografia de tórax: pode mostrar aumento das câmaras esquerdas e da circulação pulmonar;
  • Ecocardiograma: mostra onde fica a CIV, o tamanho, a diferença de pressão entre os ventrículos, o excesso de fluxo para os pulmões e a sobrecarga do coração.

O que causa a CIV?

Na maioria das vezes, a causa é desconhecida. Estudos sugerem a participação de fatores genéticos e de alterações no crescimento do bebê dentro do útero. Não é possível prevenir uma cardiopatia congênita, mas o aconselhamento genético ajuda a família a entender o risco em futuras gestações.

CIV fecha sozinha?

Pode fechar. Segundo a Dra. Vanessa, até cerca de 50% das CIVs pequenas e uma parcela menor das moderadas e grandes podem se fechar espontaneamente ao longo do tempo.

Tratamento da comunicação interventricular

Crianças com sintomas costumam receber medicamentos anticongestivos, que diminuem a congestão dos pulmões, e orientação sobre atividade física. Muitas vezes, os remédios mantêm a criança estável para que ela cresça e ganhe peso até o momento ideal da correção.

CIVs muito pequenas podem não precisar de fechamento. Já as maiores, que sobrecarregam o coração, precisam ser fechadas por cirurgia ou, em casos selecionados, por cateterismo. Nem todas as CIVs podem ser fechadas por cateter. Saiba mais sobre a recuperação na UTI pós-operatória.

Complicações: por que não adiar o tratamento

A complicação mais temida é a hipertensão arterial pulmonar, uma doença grave que pode impedir a correção da CIV. Ou seja, uma cardiopatia que tem cura pode deixar de ter se não for tratada no momento certo.

Além disso, com a CIV aberta, ou mesmo depois de fechada, existe maior risco de endocardite infecciosa, uma infecção no interior do coração.

A CIV tem cura?

Sim. A correção cirúrgica normalmente cura a CIV. Mais tarde na vida, porém, alguns pacientes podem apresentar arritmias, por isso o acompanhamento com o cardiologista continua importante. CIVs pequenas, com pouco desvio de sangue para os pulmões, permitem uma vida muito próxima do normal.

Leia também sobre outras cardiopatias congênitas: forame oval patente e coarctação da aorta.

Perguntas frequentes

CIV é grave?

Depende do tamanho. As pequenas costumam ser bem toleradas e podem fechar sozinhas; as maiores precisam de tratamento para evitar complicações.

Toda CIV precisa de cirurgia?

Não. CIVs pequenas muitas vezes só precisam de acompanhamento. As que sobrecarregam o coração são fechadas por cirurgia ou cateterismo.

Quem teve CIV pode levar uma vida normal?

Na maioria dos casos, sim, com acompanhamento cardiológico periódico.

Seu filho tem CIV? Agende uma consulta com a Dra. Vanessa Guimarães.

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