A endocardite é uma infecção do endocárdio, o revestimento interno do coração. A causa mais comum são as bactérias, que entram na corrente sanguínea, se fixam dentro do coração e se multiplicam, podendo danificar ou até destruir as valvas cardíacas. É sempre uma infecção grave.
Neste artigo, a cardiologista pediátrica Dra. Vanessa Guimarães explica por que algumas crianças têm mais risco, quais são os sintomas, como é feito o diagnóstico e como prevenir.
Por que crianças com cardiopatia têm mais risco?
O coração normal tem um revestimento liso, ao qual as bactérias têm dificuldade de aderir. Já as cardiopatias congênitas podem criar áreas ásperas no revestimento ou nas valvas, onde as bactérias se fixam com mais facilidade, sobrevivem e se multiplicam.
Sintomas da endocardite
Os sintomas variam conforme a bactéria, a gravidade e se a criança já tinha problema cardíaco. Muitos lembram uma gripe, mas duram mais:
- Febre prolongada ou recorrente, por mais de cinco dias ou até semanas;
- Cansaço extremo;
- Apetite diminuído;
- Dores musculares e nas articulações;
- Pequenas manchas escuras ou saliências doloridas nas mãos e nos pés;
- Pontos vermelho-arroxeados na pele;
- Linhas escuras sob as unhas.
Complicações
- Dano às valvas e insuficiência cardíaca;
- Aglomerados de bactérias que se soltam e levam a infecção a outros órgãos, como pulmões, cérebro e rins;
- Obstrução de vasos sanguíneos por esses aglomerados.
Como é feito o diagnóstico?
O médico examina a criança em busca de sinais de lesão no coração e investiga os sintomas e o histórico. Dois exames são usados quase sempre juntos:
- Hemocultura: exame de sangue que identifica a bactéria causadora, permitindo escolher o melhor tratamento;
- Ecocardiograma: procura dentro do coração as vegetações, aglomerados de bactérias e células presos ao revestimento ou às valvas.
Tratamento da endocardite
O tratamento é feito com antibióticos fortes, geralmente pela veia, por 4 a 6 semanas. A criança costuma ficar internada por um tempo; se responder bem, pode terminar o tratamento em casa ou indo diariamente ao hospital. Quando não há boa resposta aos antibióticos ou o dano à valva é grave, pode ser necessária cirurgia.
É possível prevenir?
Sim. Têm maior risco de endocardite:
- Crianças que nasceram com defeitos cardíacos;
- Pessoas com valvas cardíacas mecânicas ou com cianose;
- Quem fez cirurgia cardíaca nos últimos seis meses;
- Quem já teve endocardite.
Converse com o cardiologista sobre a necessidade de medidas especiais de prevenção para seu filho. A comunicação interventricular é um exemplo de cardiopatia que aumenta esse risco.
Perguntas frequentes
Endocardite é grave?
Sim. É sempre uma infecção grave, que exige tratamento prolongado com antibióticos.
Quanto tempo dura o tratamento?
Geralmente de 4 a 6 semanas de antibióticos pela veia.
Quem tem cardiopatia precisa de cuidados especiais?
Sim. O cardiologista orienta medidas de prevenção conforme o risco de cada criança.
Seu filho tem cardiopatia? Agende uma consulta com a Dra. Vanessa Guimarães.


